Novo estudo destaca como o bullying no trabalho afeta o sono e os relacionamentos pessoais.

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Por Ana Silva
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São PauloPesquisas realizadas pela Universidade de East Anglia, Universidade Complutense de Madrid, e Universidade de Sevilha destacam o impacto devastador do bullying no ambiente de trabalho sobre o sono. O estudo analisou indicadores como acordar cedo, interferência do sono na vida diária e insatisfação com o sono. Os resultados mostram que o bullying leva a problemas de sono ao longo do tempo, especialmente devido a pensamentos persistentes sobre a situação, conhecido como "ruminação de raiva". Esta ruminação agrava problemas como dificuldades para adormecer e acordar muito cedo.

Além disso, o estudo revelou que as questões de sono são "contagiosas" entre parceiros. Se um dos parceiros apresenta distúrbios do sono, isso pode afetar a qualidade do sono e o funcionamento diário do outro. A professora Ana Sanz-Vergel e sua equipe recomendam que o bullying no local de trabalho seja combatido tanto no nível organizacional quanto individual. As organizações devem reduzir o estresse, enquanto os indivíduos devem desenvolver melhores estratégias de enfrentamento. Os casais podem se beneficiar de programas destinados a reduzir a ruminação e melhorar os padrões de sono. A pesquisa foi financiada pelo Departamento de Ciência e Inovação da Espanha.

Efeitos sobre os casais

Um estudo ressalta o impacto significativo do assédio moral no ambiente de trabalho sobre os casais, destacando que os problemas de sono decorrentes do estresse no trabalho podem afetar não apenas o indivíduo, mas também o parceiro. Quando uma pessoa sofre bullying no trabalho, pode enfrentar distúrbios de sono, como dificuldades para adormecer ou manter o sono. Isso, por sua vez, afeta o sono do parceiro, sugerindo um efeito "contagioso".

Como os casais muitas vezes compartilham o mesmo espaço para dormir, quando um parceiro acorda devido à insônia relacionada ao estresse, o outro também pode ser afetado. Essa situação pode fazer com que ambos experimentem fadiga e dificuldades de concentração durante o dia, o que, por sua vez, pode tensionar a relação. Quando duas pessoas em uma parceria são prejudicadas pelo sono interrompido, a capacidade de se apoiarem emocionalmente pode diminuir, potenciando tensões e conflitos.

O ciclo repetitivo de ruminação e insônia torna-se um fardo compartilhado, amplificando o desgaste emocional e físico de ambos os parceiros. Reconhecer essa interconexão é crucial, pois aponta para a necessidade de intervenções conjuntas. Se os parceiros estiverem cientes de que o estresse do trabalho de um pode afetar ambos, eles podem trabalhar juntos para desenvolver estratégias de enfrentamento. Treinamentos sobre como se desligar do estresse relacionado ao trabalho e melhorar a comunicação podem ajudar a minimizar esses efeitos negativos. Compreender essas dinâmicas incentiva os casais a serem proativos na gestão do estresse e a buscarem apoio se os problemas de sono persistirem. Abordar essas questões não só melhora o bem-estar pessoal como também fortalece a relação do casal, ajudando-os a enfrentar desafios com maior resiliência.

Pesquisa futura

O estudo destaca a necessidade de mais pesquisas sobre a conexão entre bullying no ambiente de trabalho e problemas de sono, especialmente dentro de relacionamentos íntimos. Futuros estudos deveriam explorar como a ruminação liga essas experiências à insônia, identificando estratégias de enfrentamento que possam ajudar a reduzir os impactos negativos. Para avançar na compreensão, pesquisadores poderiam investigar os efeitos a longo prazo do bullying e se padrões semelhantes ocorrem em diferentes culturas e locais de trabalho.

Explorar medidas preventivas também pode ser benéfico. Mais estudos são necessários sobre intervenções que possam ser implementadas dentro das organizações. Essas estratégias visam reduzir o bullying e seus efeitos sobre a saúde mental e física dos funcionários. A integração de programas focados em casais poderia esclarecer se eles podem aliviar problemas de sono que afetam o parceiro e melhorar a saúde geral.

Há também espaço para estudar o impacto do trabalho remoto, onde as dinâmicas tradicionais do ambiente de trabalho podem diferir. Isso ajudaria a avaliar se ambientes de trabalho remoto agravam ou atenuam os efeitos do bullying no ambiente de trabalho sobre a saúde do sono.

Além disso, a pesquisa sobre intervenções individuais é essencial. Compreender quais habilidades pessoais ou técnicas psicológicas podem ajudar indivíduos a gerenciar estressores relacionados ao trabalho poderia informar programas de treinamento. Esses programas ajudariam os funcionários a lidarem melhor com a situação, potencialmente reduzindo o ciclo de ruminação que leva a problemas de sono.

Incorporar tecnologia, como dispositivos de monitoramento de sono, poderia oferecer insights adicionais sobre como experiências no trabalho impactam padrões de sono. Essas ferramentas fornecem dados mais objetivos e podem complementar medidas auto-relatadas para oferecer uma imagem mais clara de como o bullying afeta a qualidade e a satisfação do sono. Esta pesquisa pode, em última análise, orientar esforços para criar ambientes de trabalho mais saudáveis.

O estudo é publicado aqui:

https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/08862605251318291

e sua citação oficial - incluindo autores e revista - é

Alfredo Rodríguez-Muñoz, Mirko Antino, Paula Ruiz-Zorrilla, Ana Isabel Sanz-Vergel, Jose M. León-Pérez. Your Job Makes us Lose Sleep: The Effect of Workplace Bullying on Own and Partner’ Insomnia. Journal of Interpersonal Violence, 2025; DOI: 10.1177/08862605251318291

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