Cientistas descobrem alívio da dor sem riscos por meio de nova via de receptores delta

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Por João Silva
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São PauloCientistas da Universidade da Flórida, em colaboração com colegas da Universidade de Washington e da Universidade do Sul da Califórnia, alcançaram um avanço significativo no alívio da dor. Tradicionalmente, analgésicos visam os receptores mu no corpo, que, apesar de eficazes, podem levar a efeitos colaterais perigosos, como vício e depressão respiratória. A equipe, incluindo o Dr. Jay McLaughlin, concentrou seus esforços nos receptores opioides delta. Quando ativados, esses receptores oferecem alívio da dor sem os efeitos colaterais arriscados. Um novo composto farmacológico foi desenvolvido pelos pesquisadores para direcionar especificamente esses receptores delta. Em testes realizados em camundongos, esse medicamento proporcionou alívio eficaz da dor, sem os efeitos colaterais severos associados aos opioides tradicionais. Esta descoberta pode abrir caminho para tratamentos de dor mais seguros. Embora mais pesquisas e testes clínicos sejam necessários, essas descobertas abrem possibilidades promissoras para o tratamento da dor crônica, que afeta milhões de pessoas e traz um impacto econômico enorme.

Impacto econômico

A dor crônica representa um peso enorme para a economia, afetando milhões de pessoas e gerando custos superiores a US$ 600 bilhões por ano apenas nos Estados Unidos. Esses números englobam despesas com saúde, perda de produtividade e pagamentos de invalidez. Medicamentos tradicionais para a dor, como os opioides, frequentemente levam à dependência e a outros efeitos colaterais graves, o que contribui para aumentar os gastos com o tratamento da dependência e gestão dos problemas de saúde emergentes.

A descoberta de um novo medicamento que atua nos receptores delta de opioides pode mudar esse cenário. Ao reduzir a dependência dos opioides tradicionais, poderíamos diminuir os custos relacionados ao tratamento da dependência e de outros efeitos colaterais. Se o novo medicamento oferecer alívio eficaz para a dor sem esses riscos, menos pessoas poderão acabar em salas de emergência ou necessitar de tratamentos adicionais. Isso poderia levar hospitais e clínicas a observarem uma redução no número de pacientes com problemas relacionados a opioides.

Existe também o potencial para um aumento na produtividade. Se as pessoas que sofrem de dor crônica conseguirem encontrar alívio, elas poderão retornar ao mercado de trabalho ou serem mais ativas no dia a dia. Isso pode resultar em menos faltas ao trabalho, aumento na produção e um desempenho geral melhor no trabalho. O efeito cascata pode impulsionar a economia ao longo do tempo, reduzindo os pedidos de invalidez e aumentando o consumo de uma força de trabalho mais saudável.

Reduzir o ônus econômico da dor beneficia a todos. Conduz a economias para os indivíduos, sistemas de saúde e sociedade em geral. À medida que a pesquisa sobre a via dos receptores delta avança, as vantagens econômicas potenciais são significativas. Reduzir as consequências do mau uso dos opioides, ao mesmo tempo em que se gere a dor de forma eficaz, pode ter consequências positivas duradouras tanto para a saúde pública quanto para a economia.

Direções futuras de pesquisa

As descobertas abrem várias avenidas empolgantes para futuras pesquisas. Uma direção chave é o desenvolvimento de novos medicamentos que especificamente visem os receptores opioides delta. Ao avançar a partir do composto de droga modificado usado no estudo, pesquisadores têm como objetivo refinar e testar essa abordagem em ensaios clínicos mais avançados. Isso ajudará a verificar sua eficácia e segurança em humanos.

Outro foco é entender como a mira nos receptores delta pode ser aplicada a outras condições médicas além do alívio da dor. Como os receptores opioides estão envolvidos em vários processos fisiológicos, as percepções deste estudo podem levar a avanços no tratamento de condições como doenças cardíacas e hipertensão. Pesquisadores explorarão se o direcionamento dos receptores delta pode oferecer benefícios nessas áreas sem causar efeitos colaterais prejudiciais.

Além disso, investigar a base genética e molecular de como os receptores delta funcionam pode proporcionar insights mais profundos. Esse conhecimento pode abrir caminho para estratégias de manejo da dor mais personalizadas, adaptadas às necessidades individuais dos pacientes.

A colaboração entre instituições também impulsiona o progresso futuro. O envolvimento de especialistas da Universidade da Flórida, da Universidade de Washington em St. Louis e da Universidade do Sul da Califórnia demonstra o poder do trabalho em equipe na inovação científica.

Por último, a pesquisa em andamento envolverá o monitoramento dos efeitos a longo prazo e a compreensão do impacto mais amplo dos tratamentos direcionados aos receptores delta. Isso garante que as estratégias desenvolvidas sejam tanto seguras quanto efetivas no longo prazo. Em suma, o estudo marca um progresso significativo, mas também destaca a necessidade de pesquisas contínuas para aproveitar plenamente o potencial dos receptores delta na melhoria do cuidado ao paciente.

O estudo é publicado aqui:

https://www.nature.com/articles/s41467-025-57734-5

e sua citação oficial - incluindo autores e revista - é

Balazs R. Varga, Sarah M. Bernhard, Amal El Daibani, Saheem A. Zaidi, Jordy H. Lam, Jhoan Aguilar, Kevin Appourchaux, Antonina L. Nazarova, Alexa Kouvelis, Ryosuke Shinouchi, Haylee R. Hammond, Shainnel O. Eans, Violetta Weinreb, Elyssa B. Margolis, Jonathan F. Fay, Xi-Ping Huang, Amynah Pradhan, Vsevolod Katritch, Jay P. McLaughlin, Susruta Majumdar, Tao Che. Structure-guided design of partial agonists at an opioid receptor. Nature Communications, 2025; 16 (1) DOI: 10.1038/s41467-025-57734-5

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