Capacidades dinâmicas: como organizações podem impulsionar a transição verde com sustentabilidade empresarial

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Por Chi Silva
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São PauloUm estudo recente da Universidade de Tecnologia de Kaunas, na Lituânia, destaca capacidades organizacionais essenciais para promover a sustentabilidade. As pesquisadoras Lina Dagilienė, Viktorija Varaniūtė e Kristina Šutienė analisaram dados de 139 empresas de manufatura e descobriram que aquelas que combinam expertise financeira e tecnológica com adaptabilidade a regulamentos e demandas dos consumidores estão mais preparadas para liderar a transição verde. O estudo enfatiza o investimento de mais de 10% das receitas em ações circulares, como novas tecnologias e gestão de resíduos. Essa abordagem resulta em melhores resultados ambientais e financeiros. A pesquisa focou em empresas de médio e grande porte nos setores tradicionais, mas as conclusões podem ser aplicadas a várias indústrias dentro da União Europeia. O estudo também distingue entre as capacidades de "zoom-in" e "zoom-out". "Zoom-in" refere-se à melhoria de processos internos e conhecimento, enquanto "zoom-out" envolve o monitoramento do ambiente externo e a adaptação às mudanças. Ambas as capacidades são cruciais para integrar a sustentabilidade nas práticas empresariais.

Estratégias para o sucesso circular

Compreender como as organizações podem fazer a transição bem-sucedida para a economia circular é essencial para impulsionar práticas empresariais sustentáveis. Pesquisas recentes oferecem insights valiosos sobre estratégias que podem ajudar as empresas a alcançarem este objetivo. Um ponto chave é a importância das capacidades dinâmicas. As empresas precisam ser flexíveis e se adaptar rapidamente às mudanças nas regulamentações e nas preferências dos consumidores. Isso implica em monitorar continuamente o mercado e evoluir seus processos internos.

Para que uma empresa tenha sucesso em iniciativas circulares, muitas vezes é necessário investir em novas tecnologias e esforços colaborativos. O estudo destaca que empresas que investem mais de 10% de suas receitas em ações ambientais tendem a obter melhores resultados. Isso inclui métodos de produção mais limpos e sistemas de gestão de resíduos eficientes. O foco não é apenas adotar práticas verdes, mas também integrar esses esforços com recursos financeiros e tecnológicos.

As empresas também precisam equilibrar seu foco nos aspectos externos e internos. Monitorar o que acontece fora da organização é crucial para que os negócios respondam precocemente a mudanças ambientais. Internamente, desenvolver as habilidades certas e melhorar os processos ajuda a gerir recursos de maneira mais eficaz e a criar produtos mais sustentáveis.

Além disso, a aceitação do consumidor é um fator essencial. Entender e atender às necessidades dos consumidores garante que o mercado esteja preparado para produtos circulares. A capacidade de prever essas necessidades e adaptar as práticas de negócios de acordo pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso em uma economia verde.

O apoio financeiro, incentivos governamentais e políticas também desempenham um papel crucial. Utilizar esses suportes externos pode impulsionar a transição para a economia verde. A combinação dessas estratégias forma um arcabouço robusto para empresas que buscam prosperar em uma economia circular.

Perspectivas futuras de pesquisa

A pesquisa sugere um caminho empolgante para o futuro: como diferentes indústrias podem adotar as lições aprendidas no estudo. Embora o foco tenha sido nas empresas de manufatura lituanas, há potencial para outros setores aplicarem esses insights. Indústrias de alta tecnologia, por exemplo, podem precisar de estratégias específicas devido às suas necessidades exclusivas de materiais e regulamentações. Empresas menores e startups também podem se beneficiar ao examinar como capacidades dinâmicas podem ser adaptadas ao seu nível. Com recursos limitados, entender como viabilizar economias circulares é fundamental.

O estudo revela que investir em iniciativas verdes compensa ao longo do tempo. No entanto, mais pesquisa é necessária sobre como minimizar os custos iniciais para empresas estreantes em práticas circulares. Incentivos financeiros poderiam ter um papel crucial nesse cenário. Investigar como políticas fiscais e esquemas de crédito verde podem apoiar negócios na transição verde fornece ferramentas práticas para formuladores de políticas.

Outro aspecto que merece atenção é o comportamento do consumidor. As empresas precisam entender como a aceitação de produtos verdes pode impulsionar a demanda e apoiar economias circulares. Futuras pesquisas poderiam explorar o que motiva os consumidores a escolherem produtos sustentáveis e incorporar essas descobertas nos modelos de negócio.

Colaborações intersetoriais também poderiam ser um divisor de águas. Examinar como diferentes setores podem trabalhar juntos em projetos de circularidade oferecerá novos caminhos para a inovação. Parcerias podem ajudar a compartilhar riscos e benefícios, encorajando mais empresas a investirem em sustentabilidade.

Em suma, há uma ampla oportunidade para expandir essas descobertas. Pesquisas futuras podem ajudar a refinar estratégias para diferentes contextos e disseminar os benefícios por várias indústrias.

O estudo é publicado aqui:

https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/bse.4044

e sua citação oficial - incluindo autores e revista - é

Lina Dagilienė, Viktorija Varaniūtė, Kristina Šutienė. Impact of organisational capabilities on the implementation of circularity‐oriented activities. Business Strategy and the Environment, 2024; DOI: 10.1002/bse.4044

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